Haverá idade adequada para escrever, publicar e concorrer a concursos ou prémios literários?
Perguntas como esta tem-me ocorrido frequentemente depois de algumas experiências pessoais nesta vida de escritora.
Entrar no mercado editorial dos grandes grupos de editoras é como ganhar a sorte grande, ou seja, raramente acontece, mas ser exigida juventude e o primeiro livro em alguns dos concursos e prémios literários nacionais também é um contradição. Se, por um lado, as editoras exigem maturidade, um caminho percorrido no mundo da literatura com projetos literários e mostras dadas de se ser uma pessoa empenhada com blogues, sites, etc., uma escrita definida, cuidada com caraterísticas atrativas para o público leitor, por outro lado, a maior parte dos concursos ou prémios literários nacionais exigem que os escritores tenham até 35 anos de idade, ou ainda menos.
Desculpem, mas considero isto um perfeito disparate e, acreditem, que não o afirmo, por me sentir excluída destes concursos. Esta cláusula recente em alguns prémios literários está a dar relevo aos novos autores, para que os afamados conhecidos não concorram, e, com toda a certeza, será muito difícil que o autor vencedor consiga escrever um novo livro com a qualidade do que venceu, ou seja, fazer carreira ou dar lucros à editora, que publique o livro, mesmo que tenha na capa do livro a designação de "Vencedor do prémio X".
Afinal qual é o critério mais válido? A qualidade literária da obra a concurso ou a idade do escritor jovem, desconhecido e inexperiente?
Se esse jovem enviar a sua obra para uma editora de um grande grupo editorial, não obterá qualquer tipo de resposta, ou ser-lhe-á enviada a resposta de sempre, numa forma delicada de recusar a proposta de edição. Ninguém irá ler uma obra ou a sinopse dela, de um autor que não tem nada no seu percurso literário, ou que publicou essencialmente os seus livros numa vanity. Registo com a minha voz da experiência.
Deixo aqui o meu alerta para quem elabora e regulamenta os prémios e os concursos literários e permite que apenas concorram jovens ou jovens-adultos, que é um risco enorme. A obra vencedora desses jovens sai, tendo o seu período de euforia e de vendas e depois faltam as ações formativas, a experiência de estar com o público, de realizar conferências, sessões de autógrafos ou de apresentação. Depois solicita-se a esse jovem que produza uma nova obra para dar continuidade ao seu trabalho e, raramente, aparece com a qualidade exigida.
Acredito que haja editoras que dão valor à jovialidade, juventude e beleza dos seus autores, projetando a sua imagem em detrimento dos maduros, mas isso, à partida, não é sinónimo de qualidade, profissionalismo, empenho. Contudo acredito também que um grande grupo editorial, não queira apenas vender a imagem do autor, mas a qualidade da sua escrita para obter dividendos e uma boa imagem de si próprio.
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